“Você me tira uma noite de sono, mas não tira os meus sonhos. Você tira a minha a sanidade, mas não me tira a meta. Você me tira o que há de mais bonito, mas não me tira os olhos. Você me tira a realidade, mas não me tira a consciência. Você tira os meus dias, mas não tira minha vida. Você tira um dia para me encher o saco, mas não tira um dia longe de mim. Você tira um sarro das minhas manias, mas não sobrevive sem elas. Você tira minha paciência, mas não tira a minha educação. Por obséquio, se retire. Você tira a minha mesmice, mas não tira a minha alegria. Você tira as minhas palavras, mas até hoje, a maioria dos textos são para você. Você me tira a existência, mas não me tira a vida. Você me tira a alegria, mas não tira a mania que eu tenho de me alegrar. Você me tira a saudade, e sempre recompõe-a mais um pouco. Você me tira o chão, mas não me tira as asas. Você me tira a vontade, mas não me tira a esperança. Você tira o sofá da parede, a estante e a televisão da outra, mas não me tira a casa. Você me tira a felicidade, mas não me tira o dom de recompô-la assim que você sai. Você me tira o perdão, mas não me tira a gratidão. Você me tira as lembranças boas e só deixa as ruins, mas não me tira a raiva. Você me tira uma música boa, mas não me tira para dançar. Você me tira desse lugar, mas me leva em um pior ainda. Você me tira o silêncio, mas não tira os pensamentos. Você me tira da sua vida, mas esquece de me tirar da memória. Você me tira da sua casa, mas me mantem no porta-retrato. Você me tira do plano de fundo do seu celular, mas não exclui as mensagens que mandei. Você me tira o brilho, mas não tira a foto salva de nós dois. Você me tira para qualquer coisa, mas não me tira para o seu tudo. Você me tira o perfume, mas não me tira as flores. Você me tira a direção, mas não me tira as estrelas. Você me tira o calor, mas não me tira o sol. Você me tira o frio, mas não me tira o cobertor. Você me tira a tolerância, mas não me tira o “contar até 10”. Você em tira o rumo, mas eu sei que é para frente. Você me tira os pés, mas não me tira as mãos. Você me tira o dinheiro, mas não me tira a inteligência. Você me tira dos seus contatos, mas não me tira do facebook. Você me tira de perto de você, mas não me tira dos seus versinhos. Você me tira dos seus assuntos, mas não me tira dos seus sonhos. Você me tira a vida, mas não tira a mania de ressuscitar. Você me tira as cores, mas não me tira as tintas. Você me tira a sombra, mas não me tira a água fresca. Você me tira da sua música preferida, mas não me tira da que você gostava antes de ontem, Você não me tira. Você não me tira para ser, estar e dançar. Você me tira de mim, mas não me tira por inteiro. Você me tira da foto que você mais gosta, mas não exclui a original. Você me tira dos seus dias, mas não acrescenta ninguém melhor que eu. Você me tira da cabeça, mas não me tira do coração.”
— Alugue Felicidade
“A namorada ideal te abraça como quem diz: “ok, amor, os sequestradores avisaram que vão matar todos nós e empalar os homens, mas dá cá um abraço porque eu te amo é nada mais importa”. Ela te puxa para perto quando vocês estão vendo filme como se a vida dela dependesse disso, à beira de um abismo. A namorada ideal, depois de um longo e demorado beijo, beija sua testa com os olhos fechados, como se falasse: “você não ouse nunca mais sair de perto de mim, tá ouvindo bem?!”. A namorada ideal aperta sua mão andando na rua como se quisesse garantir que não se trata de um sonho. A namorada ideal engasga na hora de falar que te ama, mas ela nem precisa falar te olhando daquele jeito e fazendo carinho no seu rosto enquanto você cochila. Mas mesmo sem precisar e mesmo não sendo faladeira que nem você, ela se esforça, engole a timidez e fala baixinho: “também te amo”, só pra ver aquele sorriso de criança que ganhou o quartel general dos Comandos em Ação no Natal, mesmo o pai tendo falado que ele só ia ganhar um quebra-cabeça. A namorada ideal morre de rir com qualquer besteira que você fala. Mas mesmo sendo uma besteirinha, ela dá uma daquelas risadas de criança vendo o mágico lhe tirar uma moeda da orelha repetidamente. Uma daquelas risadas que parecem que não vão parar nunca mais mesmo você achando que a piada nem foi tão engraçada. A namorada ideal não reclama quando você fica horas e horas falando sobre o mesmo assunto, como se isso ela estivesse interessada. E ela não só não reclama como presta muita atenção, mesmo você falando horas sobre a temporada de chuvas no extremo sul da Ásia durante o verão. A namorada ideal refreia seu romantismo exacerbado e exagerado, e quando você, na segunda semana de namoro fala que quer casar, ter dois filhos (Plínio e Carla) e comprar uma pousada em Iguaba, ela fala: “eu também gostaria”, e aquele “gostaria”, que não é um “quero” tampouco um “adoraria”, te coloca no chão, e você percebe que vocês dois ainda têm muito a viver antes de pensarem nas aulas de natação de Plínio e Carla. A namorada ideal vai acabar de ler esse texto e não vai perceber que é sobre ela, e quando você falar que ela é exatamente assim, ela vai dizer: “claro que não, você é muito exagerado. Eu sou normal”. E você vai sorrir e saber que ela pode até não ser perfeita, mas é perfeita pra você.”
— Léo Luz
“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
— 1 Pedro 5:7